poemas nascem

۞ nasce palavra, escorre poema, jorra rio, evapora nuvem e chove sobre a terra.۞

domingo, 18 de setembro de 2016

código de alguém


todos os números são vazios
assim como os pássaros, nuvens
ou búzios de oráculo
até o cultuado dinheiro
não passam de números impressos no papel
como palavras...

tudo é vazio em seu princípio
quando não lhe atribuímos valor, fé e desejo.

do vazio surge a utilidade da bacia
da mente vazia, a clarividência
do coração vazio, a abrangência do verdadeiro afeto.

não há mentira para o arqueiro zen, poetas e amantes.

Às 11:11 passa outro trem
não há sentido para outrem
mas se abre um portal
a alguém.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

diálogo só


Portos
solitários
abismos
sentidos abissais
mergulhos
em si.

Final de tarde
o mar já dourado
não há mais azul
para submergir.


Pairo ao torpor
de uma nova atenção
onde acabam as confusões
e começa o encontro.

Enfim, ser real
invocado à própria carne
caminhando pelo lugar exato
de estar no caminho.

domingo, 20 de março de 2016

Rui




Mesmo com

toda evidência sólida

desmanchada ao ar,

insistentes estruturas

atrelam aos seus grilhões

em velho bronze

nossos seres animais

escravos de bestiais instintos.


S
olitário o trabalho do artista

já nem bobo nem herói

em intangível retidão

a contemplar

o vazio absoluto.


Nas falhas do sistema

sem paixão

o duro mármore rui

à força inexorável

da Natureza.

sábado, 12 de março de 2016

março de águas

A gentil chuva dá o sinal. Março de águas, não do que nos fazem acreditar. Águas que unem ilhas, ligam cidades. Águas que nutrem as plantas, que refrescam, saciam a sede, acalmam os ânimos quentes. Evapora e chove. Mina e desagua em oceanos. Não há como conter. A água vai continuar rolando.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

crítica


A propaganda estúpida incomoda
tão longe está da sincera busca.
Análises frias dos robôs da rede
não têm resposta válida.
Não há resposta óbvia.
Não há resposta solitária.
Redes são mais amplas
tecidas ponto a ponto de interrogação.
Mesmo no intrincado conhecimento
dos executivos do multicapitalizado negócio
da indústria de armas, guerras e representação
não se sabe o amanhã.
O egocêntrico não conhece o hoje
nem o outro, ou mesmo o ambiente.
Há os que ditam modas e preconceitos,
outros ostentam moedas de ouro,
outros quebram vidraças
revoltados contra isso tudo.
Mas isso tudo é pouco
e menos ainda se não há unidade
quando vivemos em uma bola.
Nada a dizer
enquanto seguimos letárgicos
a ofegante respiração dos doentes
vivendo chapados
reclamando
sofrendo
e sem paz.

Nada a dizer
sem responder
a necessária 
questão 
antes de cada passo.

sábado, 9 de janeiro de 2016

frio ou quente

Existirá outra vida?
Sei lá.
Existe esta?
És isto?
É sempre festa?
Ou sacrifício?
Não existe fresta?
Um caminho
que escorra
nascente?
Temos sangue
frio?
Ou quente?