poemas nascem

۞ nasce palavra, escorre poema, jorra rio, evapora nuvem e chove sobre a terra.۞

domingo, 28 de junho de 2015

divina palavra

A palavra divina
não é submetida
a um cartório terreno
com o poder do povo
não é subserviente
a um governo
menos ainda
a forças capitais
que investem
no desgoverno.
Todos somos
não só filhos
como matéria
sangue e todos fluidos
do que o que se pega
para Cristo.
Ora, a origem é antes
e Una
livre de quaisquer
outras formas de poder
só há um Poder
acessível com humildade
silêncio e afeto
na Consciência mais
abrangente
de cada mísera
cabeça.

terça-feira, 23 de junho de 2015

inspiração sutil


Ação
ativa ou passiva
vogal factual
fogo
fato
quando lançada
todo santo ajuda
tudo conspira
soma ou inspira
razão do absoluto
ou não.

(*poema sem a vogal "E", feito para a exposição Poesia Agora, em cartaz até 27 de setembro, no Museu da Língua Portuguesa, em SP)

sábado, 20 de junho de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

o lago

Sobre a montanha
muito antiga
ergue-se
a azul alegria.

Águas tranquilas
varridas diariamente
por ventos frios
do continente.

A límpida intuição
contrasta com o cinza
a lama, o lixo, o vício
de empreendimentos
que ignoram a natureza.

Não há disputa
mas resistência
em tudo que inspira
se une
e regenera.

O velho
livro das mutações
nos ensina:
somos vários.

Juntos
lago sobre lago
formam
o inesgotável.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

ratoeira divina

movimentos
desejos
queijos
ratos
aves
insetos
peixes
fluxos
festas
infestações
pulsões
orgânicas
orgônicas
ancestrais
complementares
adversas
anversos
ou avessos
yin - yang
polaridade sublime
cinco cores elementares
espectros incontáveis
ampla diversidade
singular coletivo
harmônicos
verbos
ecos
sopros
profundos
origem ampla
do vazio absoluto.


( imagem: "A última ceia", de Jee Young Lee)

terça-feira, 9 de junho de 2015

flor de cemitério



Lá estou eu de novo na sarjeta

                        bom pra ver

Não sou príncipe

                        sou poeta

Meu beijo a princesa

                        não desperta

Deixa ela quieta

                        em seu caixão de pétalas

Q’eu estou vivo,

                        em meio à merda

Salve Deus as putas

                        e os companheiros de flagelo

Que meu sangue é ruim

                        para os vampiros

Minhas lágrimas são as mesmas

                        de toda a humanidade

Abra os olhos

                        melancólica nobreza

Real

                        é a consciência

O espelho que insufla o orgulho

                        reflete a decadência

Quem está triste com a vida

                        vai para o inferno!

É preciso que a fogueira arda,

                        para se entender que não há sofrer

É só começar do zero e não ter mais

                        nada a perder

Ah como são belas as flores

                        do cemitério...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

fio



Tudo de novo
agora já é velho.
Pinto no ovo,
galo no espelho.

Canto à madruga
céu vermelho.
Sinto no peito
desassossego.

Ando na linha,
tanto ainda falta.
Curto viver,
aperta, a gravata.

Sigo errando,
estou por um fio,
se topo com o muro

me desalinho.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

nave



Minha caixa
toráxica vagueia
no espaço.

O coração
fechado
nada sabe
em si
não cabe.

Lança-se às grades
do peito de aço,
pela liberdade
grita e clama.

Pobre músculo
palhaço,
logo se inflama
sofre e ama.

Busco outra sorte
fujo da morte
e ele em jogos de azar
no ciberespaço.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

entre o tic e o tac


Futuro prematuro
presente surpresa
tempo instável
sujeito à pancadas de chuva
dilúvio
aluviando corações
corações relógios
TIC TAC
pontuando o tempo
qual o metro
esquecendo o silêncio,
o intervalo, o repouso,
o tudo
contando um dois três
fragmentos do nada
vida digital
animal racional
EGO EGO EGO EGO
TIC TAC TIC TAC
EGO-TIC
EGO-TAC
inconsciente
esquecido no silêncio
um tudo adormecido
AAAAAAAAAAHHHHHHH!
um Aborto da alma
em nome da vida
seguros de vida
paraísos pós a vida
mortes mortas
vidas perdidas
sorrisos para fotografia
um TIC
de felicidade
um TAC
de realização
e uma tristeza infinita.



Se a felicidade
existe inteira
é música.
Costurando com melodia
a vida sem nexo.
da bateria.

Se ela existe
é poesia
Enchendo de significado
palavras vazias.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

besteira


sempre
ela se chega
cerca.

evitá-la?
viver em negação?
fugir para onde?

pisar no freio
em vôo kamicaze?

ah, vida curta
que desembesta.

e a gente, besta
quando vê
nada mais resta.