poemas nascem

۞ nasce palavra, escorre poema, jorra rio, evapora nuvem e chove sobre a terra.۞

quinta-feira, 30 de abril de 2015

ansiedade

Estou cheio de ansiedade.

Parei de dar com a cabeça na parede
e não sei mais o que anseio,
estou cheio de ansiedade.

Levei uma dura da morte
e não tinha identidade,
estou cheio de ansiedade.

Quero subir aos céus
mas estou preso pela gravidade,
estou cheio de ansiedade.

Cedo me tornei um ancião
e já era tarde...

Estou cheio de ansiedade.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

diferença


te amar
é diferente
sendo amor
justo a diferença
opostos se conciliando
mãos que se tocam
corpos que dançam
para olhos atentos
desfazendo nós
abrindo gavetas.

terça-feira, 28 de abril de 2015

almas irmãs


Não é por sobrenome
nem pelo sangue
almas são irmãs na luz
são presentes
ainda que tardios
ainda que em casas distintas
ou já em diferentes planos.
Essa luz jamais se apaga
nem o seu sorriso
ou a sua dança.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

de frente

Olho de frente
com a humildade do vazio
sem a determinação do ego
sem certeza, sem julgar.


Meus olhos são espelhos
para quem olhar sincero
são transparentes frios
para quem os atacar.


Tenho menos empatia
à ênfase de línguas ferinas
do que à verdade
gata mansa do olhar.

domingo, 26 de abril de 2015

flor e ser

vem menino Mogli,
ao lado do Balú,
dançando e cantando
pelo caminho,
como só fazem
os desenhos animados
verdadeiros.

vem,
como surgem pássaros,
como nascem flores,
só quero ver seres
o melhor ser
de ti mesmo,
florescer.

não
ao que afirma a negação (!)
nunca neguei o que mais prezo
agir de coração.

vem
e vai, quando for
e volta e vai
como um ciclo ideal
onde tudo flui
sincero
bom
simples
afetivo
e sustentável.

antes
de tudo
te quero bem,
menino lobo.

sábado, 25 de abril de 2015

todos os gatos

todos os gatos

retorno


Não festejo o novo
que se acumula
mas o velho
que me deixa
voltar a ser simples
reintegração sem posse
só estar inteiro
desfragmentar-se
quebrar blocos de pedra
chegar ao grão.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

levado

O dia, a noite
o bem, o mal
a luz, a sombra
não se encerram
em si,
opostos
assimétricos
geometrias complexas.

O holocausto
tem novas vítimas,
meu peito, novos estigmas
que ao tempo se dissipam.

Eros, menino levado
em um átimo
nos leva a um novo plano
não planejado.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

guerreiro santo


espada na bainha
não há disputa
olhar de frente
atravessa o dragão.


sentado em lotus
vasto caminho
entre o céu e a terra
se ergue num fio.

tormenta, lamento
perdem seu tempo
correntes, balas perdidas
se abrem ao vento.

sagrado guerreiro

semblante da paz
trovão a galope
justiça nos traz.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

fome


Fome
Fome do que eu quero ser
Fome de mim
Fome de você
Fome
todo mundo tem
Fome
todo mundo se come
mas não se acaba
a maldita
Fome
pois também somos
comida
Fome
se paga
com a vida.

terça-feira, 21 de abril de 2015

feriado Nacional

Quando ainda na Escola
gostava do Tiradentes
pomposo em seu uniforme militar
mártir derrotado pelo poder tirânico do Império.

Comparado a Cristo
com padres entre os inconfidentes
o terço na foto, o derradeiro sacrifício
ossos do ofício, de rebelde burguês.

A conjuração já pronta
com apoio prometido do Tio Jefferson
tudo certo para decretar independente
as Minas Gerais dos seus quintais.

Há sempre um descendente dessa História
conjurado entre alferes, comerciantes e clérigos
para virar o jogo a seu favor
por desconhecimento do resto.

Como sobrevives a tantos heróis, Brasil ?!....

– Dá nele, Macunaíma!!  Bate!

-
* a Samuel Averbug, autor do último verso.
** quadro de Pedro Américo, 1893.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

cabeça baixa


baixar a cabeça, jamais?!

baixo sim

à natureza, à morte
nascemos rebaixados

me curvo ainda
a brisas, pedras, flores, pássaros

a tudo que é singelo e outro
ao que agora não sou

o enforcado dança jiga
brincando com colegas de bar
de cela, de sala, de quarto,
do quinto dos infernos.

que mané os outros?!

o mal é nós

baixo a cabeça
ao fundo do meu poço.

ergo-a novamente
com olhos longínquos


mirando de leve
o horizonte.



domingo, 19 de abril de 2015

volta dos guerreiros



Chegou a hora
chegaram os índios!

Nus
no meio da multidão
eles cruzam as ruas
despreocupados
em alguns pontos
onde ainda há árvore, rio ou mar
se agrupam
em brincadeiras ingênuas.

Sua naturalidade
desconcerta a massa produtiva
que se torna presa fácil
para esses antropófagos
antropocêntricos
vêm para devorar nossa cultura primitiva.

Juízo final                
                             Só escapa quem souber se explicar
             Quem é você, cara pálida?

sábado, 18 de abril de 2015

improvável pássaro


Não, não vou verter um livro,
nem mesmo um verso irei escrever.

Lanço o canto de um pássaro
a cruzar os céus do nexo.

Toca o sexo do léxico,

irrompe por suas entrelinhas
com sua língua, seu cantar.

À terra invoco tremor,
até ver seu néctar brotar.

Palavra profana
sagra-se na generosidade-mãe
natureza do bem.

O mal é só a sombra

e a palavra que ora chama a aurora,
não mais a tem.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

diálogo

me sinto pressionado
mas surpreendo o tom da minha voz
alterado

sinto
saio de mim

sorte, saio pouco
me encontro
em mim

não sei
talvez nem exista poema

haverá
diálogo
entre nós.


diálogo sincero




algo entre nós

falar aberto

silêncios entre

dois seres

entre mais de dois seres

entre estes e outros seres

redes

silêncios desconsertantes

reconstruímos

o mundo.


* * *

meu livro é livre


meus poemas sempre andaram por aí.

Ora param aqui, deixando a rede social para cair no mar.
Bem-vindos os navegantes, trazidos por todos os ventos.