poemas nascem

۞ nasce palavra, escorre poema, jorra rio, evapora nuvem e chove sobre a terra.۞

sábado, 17 de outubro de 2015

jogo justo

Melhor o jogo
quando todos
são da luta justa
olhamos de frente
sem trapaça
mentira
covardia
deixando a sorte
fluir ao azar.

Azar não é má sorte
é leito para fluir
campo da natureza,
que desponta milagres
em sincrônica aleatoriedade.

O lance de dados
não nos ataca ou remedia,
intermedeia
a passagem
entre nós
e o futuro

se o jogo não é
de dados viciados...

Sai para lá, uruca!

Voltem às prisões terrestres
forças que desviam
o pão dos justos
abusam da boa fé.

Não me venha
de tirania
com tiro na nuca
discurso raso
ordem fora do prazo...


Sai para lá doença!
Velhos amargados pelo próprio veneno
cheguem para lá!

Saúde é melhor
que a crença

como surfe perfeito
deslizar em equilíbrio
na prancha na crista
na onda do mar.

Jesus! Iemanjá! Zen! Nirvana! Axé! Tao!

Salam shalom, paz! Amor!

Sagrada leitura
a dos olhos laicos
dos olhos puros
transparentes
ao presente
abertos
ao futuro
além do estômago:
da humanidade.

Humanistas, nossos santos,
nossos mestres, nossas leituras,

ligados ao princípio
à fagulha que faz viver
aquecer, mover, iluminar.

Galho podre
é estrume
fertiliza o pé de café
verdeja, floresce, frutifica
e se recolhe ao tempo
seca até haver início
um outro amanhecer
para ser moído e torrado
e ainda quentinho
virar cafezinho.

Uma pausa
para contemplar o horizonte

importante é dar um tempo
e sempre refletir
consigo em sinceridade
plantar e colher
ao seu tempo
recebendo no rosto

uma brisa espontânea

a água da fonte.


poesia não é
delírio lírico idílico

é empoderar
o acaso

criar caso
só se for o caso


por ora fluir

traçando
linha dourada
na hora do ocaso.


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